Tete é o lugar de terras férteis, ouro negro (carvão mineral) e da Cahora Bassa, onde é produzida energia para o país e a região, para além de ser detentor de um corredor que liga o Porto da Beira a três países, aspectos que, por si só, fazem desta região a casa de grandes empresas e oportunidades, assim como susceptível de visitas.
Não me admira que tenha inúmeras transportadoras com viagens diárias da cidade de Tete para outros pontos do país, muito menos o facto de o Aeroporto Internacional de Chingodzi receber voos diários. Contudo, há cuidados a ter para assegurar que tenha uma experiência memorável ao vir para Tete.
1 – Deixar a “camisola”
Propaga-se muito a ideia de que Tete é terra do Calor. E, de facto, é. Contudo, o que não lhe disseram é que o famoso calor faz-se sentir, geralmente, de meados de Setembro até Março do ano seguinte, ou quase isso. Fora desse tempo, dorme-se com manta, em alguns casos. Fora isso, nos distritos situados nas zonas planálticas faz muito frio, a temperatura chega a arrear até aos oito graus centígrados. Portanto, melhor vir sempre prevenido.
2 – Planificar trabalho nos distritos contando viagem de ida e volta
Não que não seja possível, mas é um perigo muito grande, correndo sérios riscos de passar a maior parte do tempo na estrada, viajando, do que a fazer o trabalho no terreno. Os distritos de Tete são muito extensos, o que coloca muitos deles distantes da capital provincial, sobretudo porque boa parte das estradas ainda está em processo de construção ou reabilitação [risos…]. Portanto, o ideal é, antes de planificar, interagir com quem tenha uma vaga ideia da actividade que pretende realizar, vive na província e conhece os acessos que levam ao distrito onde vai. Assim, tomará a melhor decisão.
3 – Querer sentir “ao vivo” as águas do rio Zambeze
Naquele momento de dar voltas pela cidade e passar ar, evite ir fazer isso no rio Zambeze. Crocodilos! Mesmo naqueles locais onde vê mulheres a lavarem roupa, não é recomendável que se aproxime. Elas sabem que mecanismos usam para escapar de ataques de crocodilo. Pelos trabalhos que já fiz com elas, soube que usam o cheiro, pois conhecem o cheiro característico da aproximação do crocodilo. Melhor não se arriscar nessas aventuras ou emoções de querer sentir as águas do Zambeze ao vivo. O conflito homem e fauna bravia é um desafio muito sério aqui.
Melhor é apreciar o rio Zambeze e seus afluentes de locais seguros e tirar foto. Isso não lhe impede de “curtir” nos restaurantes e hotéis que estão nas margens do rio, pois quase todos têm uma barreira de protecção.

4 – Vir com a “mala cheia”
Aquele pensamento preconceituoso de Natanael, que questionou a Filipe se “pode vir alguma coisa boa de Nazaré”, não pode lhe dominar, pelo menos quando vier a Tete. Esta província dá e tem muita coisa por oferecer a qualquer um, acima da qualidade que qualquer um pode imaginar. Por isso, não pode hesitar ao pensar vir com um coleman vazio ou mala semi-preenchida. E nós, Sabores de Tete, teremos toda a alegria em assistir nesse exercício de levar parte de Tete consigo quando estiver a regressar.
